Identidade sertaneja fortalecida em Araripina
Na cidade de Araripina, ainda é comum encontrar torcedores de times paulistas e cariocas, um eterno reflexo das transmissões televisivas. “Jogos dos times de Recife? É muito raro passar na televisão”, disse a recepcionista do hotel onde estávamos hospedados, fã do Corinthians.
Durante o trajeto para o estádio, avistei também uma camisa que mostrava uma paixão dividida: metade com o azul e amarelo do Bode, metade com o vermelho e preto do Flamengo.
À primeira vista, uma situação de cultura futebolística que me deixou incomodado, mesmo que a culpa seja mais do contexto do que do interesse dos sertanejos.
Mas bastou chegar ao estádio Chapadão do Araripe para emergir um sentimento de satisfação, até mesmo um leve bairrismo. Estádio lotado, com a “Nação Bodera” marcando presença com firmeza, com muitos, inclusive crianças, vestindo a camisa a camisa do Araripina.
Bandeirão, cabeça de bode de pelúcia, gritos de guerra, tudo que ajuda a criar a identidade do time sertanejo. A presença do Sport, claro, serviu como um incentivo a mais para lotar o estádio.
Contudo, a festa do primeiro tempo me faz vislumbrar que, com o crescimento econômico que o sertão pernambucano está atravessando, os times locais possam se tornar cada vez mais competitivos, e estimular assim uma paixão crescente de geração para geração, despedindo-se aos poucos desse vínculo frio e distante com times de outros estados.
Agora a crítica. O complexo de perseguição é eterno. Acompanhei um veículo de imprensa local afirmando com todas as letras que o Araripina, além do Sport, teve a arbitragem como adversário. Papo furado, pois a atuação de Nielson Nogueira foi precisa, sem prejuízo para nenhuma das partes.
Os times menores sofrem mais com a arbitragem, principalmente, quando atuam fora de casa, e isso não é novidade para ninguém. Contudo, reclamação tem que ser feita com justiça, porque se for apenas um reflexo automático, o discurso vai perder a força quando um time interiorano for realmente prejudicado.
FONTE : GUSTAVO PAES / FOLHA PE

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